Sangrando. Implorando por qualquer coisa
Derretimento da minha alma fora de controle, eu quero parar
Abandone esse plano, fuja, não faz sentido
Implorar, eu odeio implorar. Rastejo
Roubaram todas as palavras que tentei dizer naquele momento
Roubaram todos aqueles momentos em que as palavras sobravam
Eu sinto falta de um cúmplice, alguém para levar a culpa
Sinto falta da lâmina enferrujada na pele macia
A perseguição e os policiais estúpidos tropeçando em suas barrigas
Não sou calmo, não sou assim, não sou isso
Ovelhas vão para o céu, bodes vão para o inferno
Não há nenhuma lógica no processo seletivo, eu sei
Me amarre no porta-malas com o cadarço marrom do meu sapato
Me leve até aquele velho rio onde tudo começou
Para que eu possa afundar e viver
Com todos os filhos que matei
Os filhos que criei.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Bullet proof... I wish I was...
Eu gostaria de ter o controle sobre meu corpo, sobre minha fome, minha memória e minha libido. Talvez seja só uma questão de desativar todos os mecanismos de defesa escondidos entre a tinta, mas isso eu só irei descobrir em algum tempo. Eu gostaria de ser blindado. Indestrutível, sem o temor de tremer perante aquelas que um dia sufocaram meu coração. Eu gostaria de não ser tão maleável, principalmente quando embriagado, mas eu não teria o lindo depósito de desculpas que isso proporciona. Eu gostaria de ser um pouco mais bem humorado, menos sarcástico, mas a vida não é Vanilla Sky. Eu gostaria de ter uma ambição concreta, algo além de desejar aquela Jazzmaster '68. Isso não é futuro. Eu gostaria de sentir alguma coisa quando esbarro com uma foto de alguém morto e despedaçado, mas eu sei que as pessoas morrem o tempo inteiro, e que as pessoas só se importam ou comentam alguma coisa quando um corpo aparece no meio da rua. Eu gostaria de me sentir normal, mesmo sabendo que isso aniquilaria a forma que conheço como "eu". Eu gostaria de conversar com uma virgem, para tirar a má impressão das 9. Eu gostaria de ter sono e não sentir a necessidade de escrever essas palavras, mesmo sabendo que para alguém isso deve fazer algum sentido. Eu gostaria de estar bêbado, uma ressaca amanhã não me faria tão mal. Eu gostaria de saber o que quero, decidir de uma vez um ponto final. Eu gostaria de saber onde fica o fim, para poder correr até lá e dizer adeus.
Eu gostaria...
de me conhecer.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
samotna dziewczyna która kochała
Me pega pela mão, mexe no meu cabelo e deixa o vento mudar a direção. É nesse momento que percebo que nem toda a cocaína do mundo te traria de volta. É nesse momento que percebo, que todas as madrugadas que passei enchendo a cara tentando te encontrar foram em vão. Eu me embebedo mais uma vez, acendo outro cigarro e começo a pensar. Começo a reparar que não faço ideia de quem é esse você que eu tanto quero encontrar. Quem é você que esmaga minhas veias quando tento dormir? Você, que sorriu tantas vezes para dentro dos meus olhos e se viu nas minhas pupilas danificadas pela ferrugem?
Eu me pergunto quem é você que sussurra em meus ouvidos perto da hora de acordar. Quem diabos é você afinal? Suas fotos não condizem com sua história. Sua imagem não condiz com o sofrimento que sua maquiagem não consegue cobrir. O que quer de mim? Você levou todos os pedaços de mundo que eu carregava na mochila. Você mudou meu nome, você me deu um nome à mais. Quando essa tortura vai acabar? Desenhamos mapas na farinha antes dela derreter nossa mente, te desenhei um relógio que sempre marcava a hora do almoço, e mesmo assim você... Você sabe o que fez.
Essa é a simples frustração de não poder dar nome ao ódio aqui. A simples frustração de não te conhecer para poder te deletar de vez. Essa é a linda frustração de viver em uma Polônia estampada com vermelho Rússia.
Mas isso você não vai entender, é grande demais para suas 18 polegadas de mundo cromado.
Eu adoraria te salvar, mas eu não conheço você.
Nunca Conheci.
Eu me pergunto quem é você que sussurra em meus ouvidos perto da hora de acordar. Quem diabos é você afinal? Suas fotos não condizem com sua história. Sua imagem não condiz com o sofrimento que sua maquiagem não consegue cobrir. O que quer de mim? Você levou todos os pedaços de mundo que eu carregava na mochila. Você mudou meu nome, você me deu um nome à mais. Quando essa tortura vai acabar? Desenhamos mapas na farinha antes dela derreter nossa mente, te desenhei um relógio que sempre marcava a hora do almoço, e mesmo assim você... Você sabe o que fez.
Essa é a simples frustração de não poder dar nome ao ódio aqui. A simples frustração de não te conhecer para poder te deletar de vez. Essa é a linda frustração de viver em uma Polônia estampada com vermelho Rússia.
Mas isso você não vai entender, é grande demais para suas 18 polegadas de mundo cromado.
Eu adoraria te salvar, mas eu não conheço você.
Nunca Conheci.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Ether/Loveless
É como ter areia entre os olhos, agulhas nos músculos. Ácido lático.
Você não faz ideia dos termos que está usando para jogar coisas na minha cara.
Me enfurecendo. Se desperdiçando. Me trazendo nicotina.
Eu sentaria em frente à janela do seu apartamento no 30° andar para ver você se jogar.
Eu prometeria mentir sobre o seu sexo. Não.
Me contorcendo, esfarelando perante sua maldita imagem.
Um estúpido fragmento de você sem roupa no canto esquerdo do meu cérebro.
Outro pedaço de ferro cromado enfiado em meu tórax. "Into the pink."
Como a vontade de viver entre seus rins, seu berçário de poliuretano rosa.
Não há como fugir. Eu estou na falha dos seus olhos. Na sua respiração.
Na calcinha velha que você não consegue queimar. No seu sangue.
- E todas as futuras gerações serão amaldiçoadas pois minha marca está entre suas linhas-
Estou escondido no sorriso que você dá toda manhã tentando acreditar.
Me arrastando entre seus dias, tropeçando nas palavras.
Um velho truque que canto quando chove.
-Me ama em seus pesadelos.
(Todo dia é como o anterior, com uma nuvem negra no céu. Não faça nenhum som e poderá ouvir seu fim. Não chore, só feche seus olhos de criança e vá para onde quiser, não é tão mal assim.)
Você não faz ideia dos termos que está usando para jogar coisas na minha cara.
Me enfurecendo. Se desperdiçando. Me trazendo nicotina.
Eu sentaria em frente à janela do seu apartamento no 30° andar para ver você se jogar.
Eu prometeria mentir sobre o seu sexo. Não.
Me contorcendo, esfarelando perante sua maldita imagem.
Um estúpido fragmento de você sem roupa no canto esquerdo do meu cérebro.
Outro pedaço de ferro cromado enfiado em meu tórax. "Into the pink."
Como a vontade de viver entre seus rins, seu berçário de poliuretano rosa.
Não há como fugir. Eu estou na falha dos seus olhos. Na sua respiração.
Na calcinha velha que você não consegue queimar. No seu sangue.
- E todas as futuras gerações serão amaldiçoadas pois minha marca está entre suas linhas-
Estou escondido no sorriso que você dá toda manhã tentando acreditar.
Me arrastando entre seus dias, tropeçando nas palavras.
Um velho truque que canto quando chove.
-Me ama em seus pesadelos.
(Todo dia é como o anterior, com uma nuvem negra no céu. Não faça nenhum som e poderá ouvir seu fim. Não chore, só feche seus olhos de criança e vá para onde quiser, não é tão mal assim.)
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Nils Bejerot
A falsa ideia de ser livre entre palavras.
A liberdade de poder escolher ser um entre nove.
Você ainda não aprendeu a usar isso.
Uma doença que só sabe o nome.
Uma pena.
A liberdade de poder escolher ser um entre nove.
Você ainda não aprendeu a usar isso.
Uma doença que só sabe o nome.
Uma pena.
domingo, 19 de agosto de 2012
Karmacoma
Abri os olhos e encontrei outro teto não familiar. O 38° esse ano. A velha sensação de acordar em um lugar estranho continua péssima. A textura e a tinta da parede me dizem que devo ir embora, e logo. Esse não é o meu lugar, esse não é o meu mundo. Tento puxar o lençol e levantar sem que ela acorde. Odeio dar explicações pela manhã. Durante essa simples tarefa eu percebo como é cansativo viver no limite de dois mundos - o que não é meu e o que não é dela- . Como é cansativo viver no espaço vazio. Como é perigoso viver sobre essa linha tênue que mantêm as coisas unidas. Andando em uma corda bamba, entre as coisas que odeio e o medo do total desconhecido.
Estou ficando sem desculpas.
Estou ficando sem desculpas.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Take #9 - New York Telephone Conversation
Vamos baby, segure a minha mão, eu te ensino. Puxe o gatilho, não o aperte. Calcule o tempo e o impacto, destrua esse crânio. Vê essa gosma amarelada? É ai que moram as ideias. Puxe o gatilho mais uma vez, mire um pouco mais embaixo. Vê este sangue escuro? Provavelmente você perfurou o fígado. Deixe-a aí, está feito. Você não deveria me amar. Você não deveria estar ao meu lado nas madrugadas frias. Você não deveria me esquentar com seu corpo nu enquanto tenho crises de abstinência. Eu me perco em seu quadril. Eu descanso entre seus seios perfeitamente desenhados, e todo esse conforto é realmente assustador. Eu te profanei quando peguei sua mão e te fiz feliz. Para um velho pecador, essa é a menor coisa para se preocupar no momento. Nós deveríamos sorrir e transar ao invés de se afundar nessas torturas matinais. Você não imagina a quantidade de dor pura que me causa, enquanto eu me distancio cada vez mais da vida. Somos uma canção ruim do Lou Reed. Somos um disco ruim de David Bowie. Eu quero ser o sexo com Portishead, e você sabe disso. Não me culpe, eu sou todo remendado. Não se culpe, você não teria como saber a hora certa de aparecer. Eu prometo que você nunca mais irá matar alguém, desde que esteja disposta a se jogar no sofá e esquecer quem sou eu. Deixe isso para depois, temos dois problemas mais importantes agora. Um corpo novo para esconder e um velho amor para evitar.
Arranque minha roupa e cale a minha boca.
Arranque minha roupa e cale a minha boca.
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